09 agosto 2009

Quanta Chuva

Os pingos molham os sonhos que não recuam diante de tal infelicidade, molhado está tudo aquilo que um dia por ventura sonhou em ser seco, as flores por sua vez aceitam os pingos como dádivas dadas pelo criador, sugam tudo que podem e exalam seus cheiros de formas mais que absolutas, vejo a porta se abrir e de lá um olhar raivoso me deseja todo o mal que é barrado pela minha extrema felicidade. Viro-me de costas e volto a cabeça no travesseiro, penso absurdamente na falsidade daquele que depositei meu voto de confiança, vejo surgir novas amizades e talvez mais verdadeiras da quais jurei serem mentiras; seu pior inimigo pode vir a ser seu melhor amigo e seu melhor amigo, seu pior inimigo – assim já dizia o rei do reggae. Não me importa e sigo meu passo a beira bar, a chuva leva a tristeza pra lá e no meio a gripes e influencias sinto a água bater em meus pés, por incrível que pareça o frio vem gelado e o que escuto são dialetos do leste europeu. Judeus comemoram em setembro a passagem do ano e por minha sorte nada farei a respeito, os admiro com sua força de união, volto a olhar para o céu e mais uma vez me cego diante da gota divina que é como um sinal que algo está mudando diante dos meus pobres e embaraçados pensamentos.
Sem querer cogitar a idéia de que nos paralelepípedos da vida é que posso tropeçar, sigo cantarolando alguma coisa que se mistura a Charles Mingus tocando seu baixo acústico, melodia que para na calmaria do subúrbio paulistano e suas gírias. Vem tanta chuva que pode lavar todo o sertão e dele fazer mar, café gelado e cigarro após o jantar e definitivamente estou preparado para olhar da janela da minha casa as gotas que molham e alagam a maior cidade da América Latina, vejo e-mails circularem com tanta velocidade, seu conteúdo na maioria das vezes não passa de besteira da pobre burguesia desconcentrada na realidade cultural que antes mesmo de encaminhar não procura saber o que passa, comete a gafe de acusar alguém sem conhecimento político, pois essa mesma que não tem consciência e que na hora do voto, mistura partido e cores e não tem a capacidade de olhar o projeto, apenas segue o tucano por ser doce e infantil como um bichinho de pelúcia, que apenas preza defender apenas os direitos daqueles que não precisam ser defendidos. Olho do carro e vejo quanta chuva, tudo parado, rádio ligado, mas não troco a FM por um cd qualquer, grande e melhor meio de comunicação tende a defender nossos direitos sem ofender nossa capacidade intelectual, algumas são manipuladoras de venda, mas assim é a chuva: se sair molha se olhar seca.
Não vejo o caminho, mas o sigo intrigado, tentando ser alguém de caráter e que deseja o bem e a mudança que esse nosso pobre mundo precisa, por isso amo a chuva.


R. Davoglio
Revisão Chu Mataveli