12 maio 2009

Caro Inimigo

Não é muito fácil tentar rever cada segundo que passa por todos, deixar uma realidade normal para se viver na loucura surreal.
Venho dia após dia observando os comportamentos dos seres humanos à minha volta e chego a uma triste conclusão: somos problemáticos e temos dificuldades para nos relacionar, mas em contra partida somos felizes, digo nós, mas não eu e sim você, ele não.
Tirando a modéstia em nos qualificar como seres superiores (completamente fora da realidade) vejo aparentemente duplas personalidades, as vezes mais que duas. A dor é mais que visível no ser humano e mesmo sem ter o estudo exato para falar a respeito tenho visto como é possível o ser humano ser uma farsa dele mesmo, se observarmos o conteúdo podemos perceber que a imagem que passamos é algo do qual gostaríamos de ser e não somos, posso ser um solo de Miles Davis no teclado de Korea ou apenas uma linha de Pastorius nas baquetas da escuridão.
Pó, poeira e risos no desespero da ilusão, o devaneio da gratidão, arrependimento vasto de insegurança e solidão, parte inadequada de uma sociedade sem perdão, sangue de rua no bar da infantilidade do jargão, mostrando a necessidade de aceitação, isso para não passar por pobre diante da condição vulnerável de um passado tão em vão, com lagrimas salgadas do oceano sem razão que em plena madrugada é salva pela burra televisão, com o café que amarga a amplidão, das palavras no telefone concordâncias e as vezes o não, das coisas que quebramos quando machucamos o coração e de toda amizade e sua ingratidão. Do ciúme e da inveja que se faz na multidão, dos finais de minhas palavras, meus acentos com seus tormentos , os Chicos com Gilbertos, a cachaça, o cachorro e a simples visão.

R. Davoglio
Revisado por Chu Mataveli