23 julho 2009

Camaleão Humano

Dentro de um mundo existem possibilidades inúmeras, representações de diversas existências sociais, e no meio delas seres iluminados pelo poder do animal que melhor pode se adaptar a todas as situações, ser um desses animais é ser iluminado com as luzes de Deus. Usarei o Camaleão para simbolizar esses homens especiais.
Camaleão é o nome que é dado a todos os animais pertencentes à Família Chamaelonidae, umas das mais conhecidas famílias de lagartos, em meio a 80 diferentes espécies que vivem na sua maior parte na África, ao sul do Saara, mas que podem ser encontradas em Portugal e Espanha. Algumas dessas possuem habilidades em trocar de cor, possuem uma língua rápida e afiada além de ter olhos que se movem independentes um do outro, seu comportamento é pacato e podem ficar até horas sentados à espera de sua presa. São solitários e só abandonam esse hábito na época do acasalamento. O dado fóssil mais antigo desses animais cerca os 26 milhões de anos, mas sua origem é bastante anterior. Possui também uma simbologia sagrada em algumas Tribos, visto como o criador dos primeiros homens e que nunca é morto e quando encontrado no caminho, tiram-no como precaução com medo de maldições. No Brasil é tido como indicador de bons fluidos. Nessa crônica da qual escrevo após um surto social, ele representará um pouco dos homens especiais e que podem se camuflar na grande e distorcida diferença social em que vivemos. Ser um destes representa a enorme facilidade de se deslocar entre os meios mais diferentes, entrar numa favela no meio da tarde e depois de um churrasco regado a samba se programar a um open house na Quarto Centenário de frente ao Parque do Ibirapuera; é agradar aos intelectuais, ser metafísico, filósofo, médico ou apenas ter esse “dom” camaleônico. Trocar idéias de forma simples e transformar as pessoas no mais puro perfume afrodisíaco, é conquistar na lábia sem ser canalha, tornar-se bonito aos olhos que apenas almejavam a luxúria, é comer caviar e sentir o gosto simples do churrasco grego que é vendido entre as putas do Vale no Anhangabaú.
Ele aprecia o clássico e o popular com os mesmos ouvidos, muda sua linguagem de acordo com o ambiente, reconhece todos os tipos de perigo e sabe a hora de mudar de cor.
O camaleão passa sem ser notado claramente, pois não existe assunto do qual não domina, não existem experiências das quais ele nunca passou e num passe de mágica e mesmo sem saber, o “sábio” se coloca de forma igual, sua postura é rígida e mostra-se como o autor do tema, não perde um segundo sem absorver cores, conhecimentos e felicidade. No meio da confusão será recebido por Gregos e Troianos, todos eles de corações abertos e gratos pela sua presença sagrada. Depois disso tudo come algumas mariposas e bananas. São poucos com esse dom tão apurado, nem mesmo são reconhecidos, normais lhe parecem diante da multidão, mas se entregue a uma conversa ou a um convívio irá perceber o quanto são importantes para o mundo. Só se reconhecem por acaso, mas percebem a enorme diferença entre eles, são Camaleões do mundo.

R. Davoglio
Revisado por Chu Mataveli